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SÁBADO OU DOMINGO (O homem precisa de um dia de descanso?) Parte II

Diante de dúvidas sobre o dia de repouso dos cristãos. O advogado e diácono Janildo Honório achou por bem trazer a questão à lume em artigo que será publicado neste espaço divididos em 03 partes. Este é o segundo.

Publicada em 21/04/21 às 10:45h - 320 visualizações

por Janildo Honrio da Silva


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SÁBADO OU DOMINGO (O homem precisa de um dia de descanso?) Parte II
 (Foto: Rádio Boas Novas Aracaju)

*Janildo Honório da Silva          

       

  Podemos agora, depois dessa introdução, indagar? E o dia do Senhor? ou, que dia se deve guardar quem não é povo Israel? A resposta seria Sábado sobre o qual a Bíblia tem cerca de 41 citações ou o Domingo da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo? Houve mudança quanto a esse dia?

                  Entro agora conscientemente num campo muito polêmico, mas não me deixo ser intimidado pelos mestres que ficaram convencidos do contrário, pois pensar e expressar o próprio pensamento com respeito a quem pensa diferente é um direito, fruto de uma liberdade inalienável, sobretudo quando o assunto é a verdade intrínseca da Bíblia como instrumento de revelação de Deus já grafada nas sagradas Escrituras.

                 Em primeiro lugar, vamos analisar o dia da ressurreição de Jesus que foi morto antes do sábado e não foi encontrado no túmulo, no domingo, ao romper da autora daquele dia.

              O que os autores do Novo Testamento, Mateus, Marcos, Lucas e João dizem acerca dos dias e dos fatos acerca da ressurreição?

              Mateus – (Mateus 27.56; 28.1). “...entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e José, e a mulher de Zebedeu. No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o sepulcro (testemunhas).

             Marcos – (Marcos 16.1-2). Passado o sábado, Maria Madalena, Mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-lo. E muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao sepulcro.

             Lucas – (Lucas 24.1.2). Mas no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado.  E encontraram a pedra removida do sepulcro.

              João - No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava removida.

             Nos quatro relatos dos escritores sacros há harmonia quanto ao dia e horário em que as mulheres foram ao túmulo e que sabiam do lugar onde Jesus tinha sido sepultado.

             Há várias teorias sobre o dia e horário em que as mulheres foram ao sepulcro:

 - sendo mulheres, as que foram ao túmulo de Jesus não poderiam ter ido na noite do primeiro dia da semana (assim começa o dia para os judeus, após o pôr do sol, aproximadamente 18h00, por causa do local deserto e provavelmente escuro;

Por isso em Gênesis 1.5 (in fine) Se vê: “Houve tarde, manhã e o dia seguinte” (não fala noite).

- Lucas fala da hora em que as mulheres foram ao sepulcro: de madrugada, João diz: quando ainda era escuro. Marcos diz: ao despontar do sol.

Muito cedo porque temiam que dessem destinação ao corpo de Cristo, ou porque não queriam chamar a atenção de curiosos, porque eram aquelas mulheres importantes.

Maria Madalena parecia ser uma espécie de líder do grupo de mulheres. Ela cresceu muito ao ser liberta por Jesus dos sete espíritos que a fazia cativa deles (Mc 16.9). Após sua libertação, passou a ser uma das mulheres que serviam a Jesus. Dentre elas, as mencionadas nos textos sinóticos: Maria Madalena e a outra Maria (Mateus, 28.1) Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e Salomé (Marcos 16.1), Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as demais mulheres que estavam com elas. Foram então mais do que as cinco mulheres nominadas.

O que importa saber nesse relato na presente abordagem é que nenhuma dessas pessoas testemunhas do túmulo vazio, da declaração angelical de que ele, Jesus, ressuscitou, assim como na tarde daquele dia Jesus apareceu a dois discípulos que caminhavam na estrada de Emaús e depois aos onze. Elas e eles são todos as testemunhas da convincente ressurreição do Senhor.

Sobre horário e dia da ressurreição, no entanto, não há na Bíblia, registro, segundo uma interpretação literal que ultrapasse o crivo analítico, à luz dos contextos próximos e remotos que apresente evidências do momento da ressurreição, quanto ao dia e hora, que na linguagem bíblica, falando sobre madrugada, manhã, tarde ou noite.

Como vimos, os escritores dos quatro livros neotestamentários mencionados ao fazerem referência à ressurreição de Jesus Cristo, começam referindo-se ao horário em que as mulheres foram ao sepulcro. A partir de então, em suas narrativas, falam do túmulo vazio.

Contudo, Marcos, é o único deles que no verso 9, do capítulo 16, inseriu o verbo haver, sob a forma nominal de gerúndio, em cuja afirmação fez suscitar a interpretação de que Jesus ressuscitou no domingo, ao dizer:

“Havendo Jesus ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios”.

O verso 8, anterior a declaração sob foco do 9, vimos:

“E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e de assombro; e, de medo, nada disseram a ninguém”.

Ora, o próprio Marcos não registrou nos versículos anteriores, alguma outra informação da fala dos anjos, no tocante a informação que traziam da ressurreição de Jesus, sobre o elemento tempo, quando ele ressuscitou. Marcos teria deduzido pela importância de se estabelecer um dia do Senhor quis deduzir sobre o dia ou houvera uma interpolação nesse texto?

Os anjos fizeram referência apenas ao local, onde jazia o corpo de Jesus. Também quem anotou a conversa de Jesus com os seus discípulos, após sua ressurreição, nada fez constar do horário e dia de sua ressurreição.

Em seus comentários ao Livro de Marcos, Russel Champlin afirma que alguns supõem que a ressurreição de Jesus tenha ocorrido no sábado. Ele mesmo supõe que “... a ressurreição de Jesus teve lugar algum entre o pôr do sol no sábado e antes do nascer do sol do domingo”.

Se houve interesse escuso do poder de então de divulgar a ressurreição de Cristo no domingo teria uma explicação racional: a igreja primitiva teria sido evangelizada por cristãos judeus, a partir de sua liderança de quem emanava a doutrina oficial, autorizada e recomendada.

Os líderes judeus guardavam o sábado naturalmente. Fazia parte de seus hábitos que o Messias não veio revogar. Não seria difícil para os demais judeus convertidos continuarem guardando o dia do Sábado como o dia do Senhor.

Para os gentios, o Evangelho como o nome diz era uma grande novidade. O Evangelho introduzia novos costumes: a morte vicária de Jesus Cristo, a exigência de arrependimento, confissão, batismo, amor fraternal entre os salvos, atos de piedade e amor. A guarda do sábado era mais um diferencial não observado na vida secular dos gentios que agora integravam os novos costumes “religiosos”.

Havia, no entanto, o problema para o mercado, o estado e os patrões: qual dia a se observar para guardar-se como o dia do Senhor? Sábado ou domingo?

Era preciso dar-se um jeito nisso. Dizer aos novos crentes, cujo nome acrescia a cada dia que seria o domingo dos romanos, isso poderia ferir a sua fé na doutrina dos apóstolos, os quais não pregavam a guarda do sábado, mas na prática, viviam-na, naturalmente, esse costume. Era uma observação natural do 4º mandamento.

Não precisamos de muito esforço para imaginar a dificuldade de os judeus passarem a guardar agora o domingo como o dia do Senhor pelos mesmos motivos de fé, obediência e costume.

Então, racionalizar essa questão, apontando na Bíblia um fundamento para a definição do dia do Senhor, seria resolver sem violência o problema dos dois dias de descanso, até então existentes (como ainda ocorre em Israel hoje em dia, três religiões e quatro dias de repouso distintos: mulçumanos, sexta-feira; judaísmo, sábado, católicos e protestantes, domingo).

Se o mandamento não foi revogado, a ordem subsiste quanto ao dia de descanso. O sétimo dia é dia de descanso. A ênfase está no sétimo ou no descanso? Se o descanso for a ênfase divina, o sétimo dia poderá ocorrer na sexta, no sábado ou no domingo ou outro dia da semana que seja definido como o sétimo, após os seis dias de trabalho.

Entrementes, o sétimo dia do ocidente pode não coincidir com o sétimo dia do oriente. O calendário de Israel é diferente em relação ao calendário Gregoriano (1582) que mudou o calendário Juliano de Sosígenes de Alexandria, elaborado em 46 a.C, em homenagem a Júlio César.

O calendário de Israel, judaico, é lunissolar, existe há mais de três milênios, o início dos dias e horários, o pôr do sol da sexta é o erev shabat dos judeus. No calendário Gregoriano, os dias começam à meia noite (zero horas). Por que pôr do sol? A chamada viração do dia tratado em Gênesis. Isso explica a narrativa bíblica de Gn. 1.5, parte final de manhã, tarde e o dia seguinte.

Continua...

*Janildo Honório da Silva é advogado e diacono da Primeira Igreja Batista de Aracaju 




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